Jair Bolsonaro X Jean Willys – Opinião sobre partidarismo popular




Alan da Costa Macedo, Bacharel e Licenciado em Ciência Biológicas na UNIGRANRIO; Bacharel em Direito pela Universidade Federal de Juiz de Fora; Pós Graduado em Direito Constitucional, Processual, Previdenciário e Penal; Pós Graduando em Regime Próprio de Previdência dos Servidores Pùblicos; Servidor da Justiça Federal em licença para Mandato Classista, Ex- Oficial de Gabinete na 5ª Vara da Subseção Judiciária de Juiz de Fora-MG; Coordenador Geral  e Diretor do Departamento Jurídico do SITRAEMG; Ex- Professor de Direito Previdenciário no Curso de Graduação em Direito da FACSUM; Professor e Conselheiro Pedagógico no IMEPREP- Instituto Multidisciplinar de Ensino Preparatório; Professor e Coordenador de Cursos de Extensão e Pós Graduação do IEPREV;

 

Ultimamente, temos visto um cenário no Brasil de intolerância e desrespeito generalizado.

Cidadãos resolveram se politizar e tomar partidos como se fizessem parte de uma “ seita” que ignora a dialética, que abomina o debate construtivo e que tenta disciplinar as crenças aos seus irmãos de forma aviltante e impositiva.

Nos últimos meses, temos passado por um furacão de informações de todos os lados que nos deixam perplexos e ao mesmo tempo alienados. Grupos que defendem determinada ideologia nos bombardeiam diariamente com todo tipo de jornalismo (verdadeiro, falso, persuasivo, manipulador). As redes sociais viraram uma grande arena de Gladiadores.

Eu, particularmente, tento acompanhar, assistir e ler todo tipo de informação de um lado e do outro para que, processando os dados, possa formar minha própria opinião. É certo que, às vezes, me vejo contaminado e persuadido por uma das frentes. Mas tento usar os fatos e, confluindo com a história, “separar o joio do trigo”, antes de emitir uma opinião aos meus seguidores. 

As figuras que mais tem aparecido ao público (talvez de propósito e com interesses pessoais) são os Deputados Federais Jair Bolsonaro e Jean Willis. São os principais astros da arena de gladiadores. Todo tipo de xingamento, de desrespeito e falta de decoro já assisti.

De um lado, Jair Bolsonaro, o patrono dos Militares e da “ família”( na visão conservadora). De outro, Jean Willys, o defensor da liberdade sexual, da família não tradicional e de uma série de outras ideias libertárias.

Já vi Juízes aposentados, Doutores em Direito, Procuradores da Fazenda, Advogados, estudantes e muitos outros se colocando como verdadeiros partidários de Jean e defendendo suas ideologias como uma bandeira pessoal. Esse grupo, costuma acusar o Deputado Bolsonaro de “Fascista”, “torturador”, “ homofóbico” entre outros apelidos nada educados.

Também já vi notórios pensadores, altas autoridades constituídas, religiosos, defendendo o deputado Bolsonaro e suas ideologias e acusando Jean Willis de “ comunista”; “ heterofóbico”; “ oportunista”; “ destruidor da família tradicional”, “ queima r...” entre outros diversos apelidos nem um pouco respeitosos.

Tenho acompanhado a vida política do nosso país bem de perto, pois fui eleito representante Sindical dos Servidores do Poder Judiciário Federal e, com isso, tenho podido vivenciar com mais proximidade o cenário político atual.

Essa briga de “ cão e gato” desses dois personagens políticos, para mim, não passa de um reflexo da crise moral, ética, política pela qual passamos. Nossa Democracia, pela leitura que faço da Constituição de 1988, foi idealizada para garantir o direito das minorias, da liberdade de expressão e consciência e da participação popular nas decisões políticas do país.

Os argumentos usados pelos defensores de ideias não deveriam ser atacados pelos seus opositores ideológicos com tanto radicalismo. Aquilo que idealizamos como democracia deveria passar, necessariamente, por um cenário em que as discussões pudessem ser pautadas no diálogo, na persuasão racional, no tecnicismo, na cientificidade das coisas.

Hoje em dia, não podemos nem mesmo nos posicionar a favor de um ato praticado por um dos dois que já nos atribuem o título de “ fascista” ou “ Queima r...”, conforme o caso.

Ora, por certo que tanto Jair Bolsonaro quanto Jean Willis já tiveram condutas radicais, desrespeitosas e impositivas.

De um lado, o representante dos militares prega o “ fuzilamento de bandidos”; a “ tortura como método adequado em tempos de guerra civil” e afirma que “ não seria capaz de amar um filho homossexual”. Ou seja, coisas com as quais não posso concordar.

Do outro lado, o representante do movimento LGBT já se manifestou:  a favor da “ pedofilia”; que eleitores de Direita são "classistas, racistas e violentos”; e, com intolerância religiosa, afirmou que “ nenhum texto bíblico deve ser levado ao pé da letra, mas deve ser interpretado como um mito”.  Coisas com as quais também não posso concordar.

Apesar de suas posições antagonicamente radicais, mesmo defendendo discursos com os quais não concordo, não fico por aí apelidando-os de “ torturador”; “ queimador de r...”; “ fascista”; “ anti-cristo”. Prefiro assistir e ler suas manifestações e opinar contrariamente ou a favor dos fatos e argumentos e não das pessoas.

Tanto um quanto outro tiveram passagens importantes na política e já fizeram coisas boas, sim.

Jair Bolsonaro, por exemplo, foi digno de elogios quando foi citado por Joaquim Barbosa (Ex ministro do STF) como um dos poucos que não haviam participado do “ mensalão”, bem como quando propôs o PL-7473/2014 que altera a legislação do imposto de renda e dá outras providências, para incluir os portadores de doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC – enfisema pulmonar, no rol de isentos de tributação.

Jean Willys também mereceu aplausos quando, por exemplo, propôs o projeto de Lei 771/2011 que dispôs sobre a permissão de portadores de deficiência, que dependem de processo de interdição, a inserção no mercado de trabalho formal.

Noutro dia, fui questionado por um colega no face book, in box, me dizendo: “ Amigo, vi que você, um cara esclarecido, curtiu a fan page do Bolsonaro, aquele idiota fascista. Não acho legal você ficar dando número na página daquele torturador”.

Com toda educação, respondi ao colega que curtia a página de várias autoridades, professores, políticos, inclusive do antagônico ao Deputado citado, o Jean Willys, com a intenção de me informar sobre suas publicações. Afirmei que sou professor e formador de opinião, que me expresso em textos e artigos sobre tudo e todos. Disse que falava mal de atos do Bolsonaro, mas por suas extravagâncias e bem dos seus bons atos. Da mesma forma, agia em relação a Jean Willys e outros políticos midiáticos. Finalizei dizendo que discordo de qualquer pragmatismo político.

Mesmo deixando claro que somos livres para manifestar nosso pensamento, meu colega não me entendeu. Prosseguimos mais um pouco no debate, quando ele disse que o Jair Bolsonaro defendia torturadores e que a “ cusparada” dada pelo Jean Willys em seu rosto, por ocasião da votação do impeachment, foi pouco, merecia muito mais.

Refutei-o dizendo que Jean Willys também usava camisas do Che Guevara que torturava e fuzilava pessoas em prol da revolução socialista e nem por isso, poderíamos cercear o seu direito de admirar quem quisesse.

Disse, ainda, que responder atos de violência física ou moral na mesma moeda não se afigura adequado, pois não temos mais a autotutela como meio proteção idônea. Temos leis, temos instituições que podem ser usadas para punir atos que discrepem do que é pacificado como norma de conduta. Enfim, não consegui convencê-lo.

E o que faremos agora? Teremos que realmente nos calar quando pensarmos de forma diferente para evitar ser xingado? Perderemos amigos por que não concordamos com seu ponto de vista político? Teremos que não curtir mais a página de doutrinadores que pregam ideologias político-juridicas diferentes das nossas?

Se suspeito do enriquecimento abrupto do filho de Lula e me manifesto por investigações para apuração disso, sou fascista e direitista. Se defendo alguns projetos de Lei do PT ou do PSOL sou “ pão com mortadela” ou “ cumplice de criminoso”.

Se sou a favor do impeachment por que entendo que houve, sim,  crime de responsabilidade, sou “ golpista”,  “ esquerdopata” ou “ coxinha”. Se critico discursos extremamente radicais de Bolsonaro ou peço investigações para as noticia criminis de Aécio Neves, sou “ Pelego”; “ comunista” ou “ estou com alguma boquinha do governo”.

Eu não consigo entender como pessoas que tiveram acesso ao conhecimento, doutores em Direito Constitucional, filósofos, socialistas, vem a público pregar o ódio desta forma. Pedem presunção de inocência pra Lula, mas chamam Eduardo Cunha de Ladrão (antes do transito em julgado em sentença condenatória) e querem sua cassação imediata. Sabem que Renan Calheiros é acusado do mesmo crime, mas enquanto defende o governo, dele nada falam.

Sinceramente, não consigo entender mais nada. Estou perdido num mar de “ apaixonados políticos” que desvirtuam a razão adquirida com o conhecimento e se entregam à cegueira ideológica.

Eu sou livre e vou continuar sendo. Que me xinguem, que me odeiem, mas continuarei tentando ser um homem livre e de bons costumes. Respeitando o direito dos outros de pensarem diferente de mim e usando a retórica como arma para persuasão racional, quando necessário convencer.

Observação: não vou revisar o texto. Desculpem os eventuais erros.

 

                                                                            Alan da Costa Macedo :.

 

 

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